Diagnóstico de câncer enseja congelamento de óvulos e espermas

O diagnóstico de câncer nos tempos modernos não é mais, necessariamente, uma sentença de morte. O avanço nos tratamentos, com excelentes resultados, sejam de cura ou de sobrevida, vem permitindo que pessoas acometidas por um dos inúmeros tipos de câncer possam ter uma vida normal.
Mas dependendo do tratamento que for determinado pelo oncologista e da idade do paciente, é fundamental pensar na preservação da fertilidade, tanto no que se refere à mulher, quanto ao homem.
A técnica de congelamento permite guardar para o futuro a possibilidade de uma gestação, e livre dos efeitos da quimioterapia ou radioterapia.
No caso dos homens, é possível congelar o sémen ou o tecido testicular. Para as mulheres, existem mais opções: congelamento de óvulos, de embriões, de tecido ovariano (para meninas que não chegaram à puberdade) e transposição de ovários (posicionando os ovários atrás do útero no caso de radioterapia na região pélvica).

Tudo o que você sempre quis saber sobre congelamento de óvulos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É muito importante que jovens mulheres pensem na gravidez desde cedo, pois a opção por ser mãe mais tarde requer planejamento. Portanto, se a maternidade está no seu horizonte, preste atenção às dicas que seguem:
Se existe histórico de menopausa precoce na sua família, tenha em mente que o congelamento de óvulos é uma garantia para o futuro.
Mulheres com endometriose ou que precisam passar por cirurgia ovariana tendem a apresentar uma diminuição da reserva ovariana, por isso, o congelamento de óvulos é um procedimento a ser considerado nesses casos.
Dos 28 aos 32 anos, é a melhor faixa etária para o congelamento de óvulos, pois eles possuem mais qualidade. Quanto mais idade a mulher tem, mais envelhecidos ficam os óvulos, reduzindo sua qualidade.
Mulheres com câncer e que precisam fazer quimioterapia devem optar pelo congelamento de óvulos, já que o tratamento pode provocar a menopausa precoce e infertilidade.
O procedimento para congelar óvulos começa com a coleta, através da aspiração dos folículos utilizando-se uma agulha conectada a uma bomba de aspiração e guiada por ultrassom transvaginal. É preciso que a mulher receba anestesia geral de curta duração, de 15 a 30 minutos. Depois da coleta, serão congelados apenas os óvulos que a equipe médica julgar com qualidade para tal.
A tecnologia do congelamento de óvulos, para posterior fertilização in vitro, veio para ajudar as mulheres querem ou precisam deixar o sonho da gravidez para mais tarde, mas se não houver planejamento, isso pode nunca acontecer.

Espermatozoide congelado há 23 anos gera gravidez de sucesso

Parece inacreditável, mas graças à técnica de congelamento de sêmen, um casal pode realizar o sonho da gravidez. Foi a fertilização in vitro com o espermatozoide mais tempo congelado de que se tem notícia, tanto que o casal recebeu uma certificação do Guinness Book pelo recorde.

O caso aconteceu na Austrália. O australiano Alex Powell tinha 15 anos de idade quando foi diagnosticado com Linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que ataca o sistema linfático. Graças a sua madrasta, que pensou no futuro de Alex e na possibilidade de vir a querer ser pai, ela propôs o congelamento do sêmen, uma vez que a quimioterapia deveria começar imediatamente e poderia provocar a infertilidade dele. E assim foi feito.

Felizmente, Alex ficou curado do câncer e passou a levar uma vida normal. Após 20 anos do congelamento, ele conheceu aquela que viria a se tornar sua esposa e mãe do seu filho, Vi Nguyen. Depois de um ano de tentativas, o espermatozoide com 23 anos de idade de Alex fecundou com sucesso o óvulo de sua esposa, através do procedimento de fertilização in vitro.

Nove meses depois, nascia Xavier Powell, provando do que a ciência é capaz e como o avanço da tecnologia permitiu que um espermatozoide com 23 anos de congelamento tinha qualidade para fecundar um óvulo e resultar no nascimento de uma criança, fato ocorrido em 2015.

Fatores que podem atrapalhar a fertilidade

Entre a decisão de ter um filho e a hora do parto, muita coisa pode acontecer e muito tempo pode passar. A fertilidade da mulher e do homem pode sofrer por inúmeros fatores, desde os mais simples até os insolúveis. Há algumas coisas básicas que devem ser feitas antes mesmo de começar a tentar engravidar. Hábitos ruins como fumar, beber demais ou usar drogas precisam ser eliminados para o bem bebê, mas também da própria gestante.
Uma boa alimentação, variada, é fundamental. Vitaminas e minerais ingeridos através de uma alimentação saudável são necessários para a boa fertilidade do casal e também para a saúde do feto.
Exercícios físicos frequentes e a manutenção do peso ideal são outros fatores que podem contribuir para a fertilidade, pois um organismo alimentado adequadamente, que realize atividades físicas rotineiramente em um corpo sem excesso de gordura ou da sua falta terá mais chances de atingir a meta da gravidez.
Mas existem, também, aspectos emocionais que podem retardar o sonho, como a ansiedade por engravidar, que pode afetar os hormônios. Já casos mais graves, às vezes, podem ser resolvidos com medicamentos ou até cirurgia.
Mas quando é a hora de procurar um especialista? Se o casal não possui qualquer problema aparente e já está tentando engravidar há meses, então, chegou o momento de consultar um profissional especializado em fertilidade. Pois existem problemas como a ausência de óvulos ou disfunção ovariana, síndrome do ovário policístico, endometriose e menopausa precoce, miomas, obstrução tubária, aumento da prolactina, abortos espontâneos e alterações na tireoide, que podem provocar infertilidade temporária ou não. Por isso, nada se preocupar demais antes da hora. Ao decidir engravidar e não conseguir, procure ajuda profissional e realize seu sonho. Ciclo de Palestras SEGIR. Participe 6 de abril de 2017.

Gestação gemelar

Existem dois tipos de gestação gemelar: as monozigóticas, onde um embrião se divide em dois ou mais, dando origem a gêmeos idênticos, e as gestações gemelares dizigóticas, onde cada óvulo é fertilizado por um espermatozoide, dando origem a bebês que nascem ao mesmo tempo, mas que são somente irmãos, sem serem idênticos.

Recentemente, mulheres famosas como Beyoncè e Amal Alamudin, anunciaram gestações gemelares e a pergunta que surge é: estão as gestações gemelares aumentando? E a resposta é sim, estão. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, em 1975, a cada 1000 partos, cerca de 10 eram gemelares. Em 2012, este número saltou para 17. Em alguns países europeus, como a Dinamarca, este salto foi ainda maior, em torno de 20 casos a cada 1000 nascimentos.

Um dos fatores que contribuiu para o aumento da gemelaridade foi o surgimento da fertilização ” in vitro”. No início da técnica, nas décadas de 80 e 90, as taxas de gemelaridade eram maiores. Hoje, quase não se veem nascimentos de trigêmeos ou mais, porque as técnicas de congelamento de óvulos e embriões têm possibilitado transferir menos embriões ao útero de cada vez, guardando-os em segurança para transferências futuras.

Um outro fator que também contribui para a gemelaridade é a postergação da maternidade, uma vez que mulheres férteis que engravidam naturalmente próximo dos 40 anos também têm uma taxa maior de gestação gemelar. Já os gêmeos monozigóticos são imprevisíveis e continuam nascendo na proporção de sempre, 3-4 partos a cada 1000.

É importante monitorar os casos de gemelaridade, porque caracterizam gestações de alto risco, com maiores chances de bebês prematuros e com baixo peso, que necessitem de internação em UTI neonatal.

Postado por Isabel de Almeida no Blog do CliC RBS