O abortamento é um fato mais comum do que se imagina. Enquanto aproximadamente 15% de todas as gestações clinicamente reconhecidas acabam em aborto, existem muitas gestações que se interrompem sem que haja tempo para fazer diagnóstico.
A perda de uma gestação usualmente é bastante traumática física e emocionalmente para o casal. Chamamos de abortamento de repetição três ou mais perdas gestacionais antes de 20 semanas de gestação e este fato deve ser investigado. Se a paciente não tiver filhos ainda, tiver idade acima de 35 anos ou tiver tido dificuldade para engravidar, a investigação deve ser iniciada já a partir da segunda perda.
Entre as principais causas de aborto de repetição estão:
- causas genéticas: o embrião ou um dos pais é portador de uma anormalidade cromossômica
- problemas anatômicos: anomalias uterinas, como miomas, pólipos, aderências, útero bicorno ou septado
- problemas endócrinos: doenças da tireóide, ovários policísticos, diabetes
- fatores imunológicos: síndrome antifosfolipídica
- fatores trombofílicos: desordens herdadas nos mecanismos de coagulação
- fatores ambientais: cigarro e consumo de álcool parecem aumentar as taxas de abortamento
Após investigação, as causa identificadas deverão ser tratadas. Entretanto, a metade das pacientes com abortamento de repetição ficará sem diagnóstico. Para estas, consideradas pacientes com aborto de repetição de origem inexplicada, a receita é aconselhamento medico antenatal, início precoce de pré-natal e suporte emocional. Estas medidas têm mostrado taxas de sucesso de 86% em gestações subsequentes comparado com 33% em mulheres sem nenhum cuidado antenatal.
Assim, embora o diagnóstico de abortamento de repetição seja extremamente frustrante e desgastante para o casal, é útil informar que existem boas chances de a próxima gestação ser exitosa. Com acompanhamento médico adequado, mesmo nos casos de qatro ou cinco perdas anteriores, a paciente tem mais chance de levar sua próxima gestação a termo do que sofrer uma nova perda.
